Como criar um anel artesanalmente?
Os anéis, com sua rica história e multifacetada simbolização, continuam a fascinar e a ser usados como poderosos símbolos de diversos aspetos da vida humana.
Na LTCMarkerArt, sabemos que hoje em dia os anéis tal como a joalharia em si, marcam e definem um estilo e gosto pessoal de quem os usa e alcançaram todas as formas possíveis
Para a produção de uma peça é preciso um amplo conhecimento na área, pois são inúmeras as operações a serem interpretadas e executadas pelo ourives depois da execução do projeto em desenho.
Fases do projeto e a sua planificação
Definir o tipo de peça (projeto) a produzir
Apresentação do desenho e dimensões da peça
Determinação dos acabamentos e elementos estruturas da peça (tipos de encaixe, articulação, cravação, etc.) Seleção de materiais a empregar no projeto.
Preparação dos materiais
— Fundição para chapa ou fio na rilheira
— Laminagem
— Trefilagem
— Texturas prensadas
— Forjamento
Execução de elementos estruturais
— Cortes, serragem
— Forjamentos de volumes
— Soldagem e montagem/assemblagem dos elementos
Acabamentos primários
— Limagem
— Texturas decorativas com materiais abrasivos (fresas, limas, martelados, jato
de areia, perfuração, cinzéis)
— Lixagem (com lixas de diversas granulometrias)
— Esmaltagem vítrea
Acabamentos secundários
— Polimentos
— Oxidações
— Banhos (douramentos, ródio, prata, etc.)
— Pigmentos (esmaltes acrílicos)
— Limpeza

Anéis artesonáis, LTCmarketart
Preparação do anel
Para a execução de um anel é necessário saber o tamanho ou medida interior do anel. Podemos fazer a medida (diâmetro e altura) utilizando para o efeito um instrumento de medição, como o paquímetro. Para achar a medida podemos recorrer a outro anel que entre no dedo ao qual se destina o modelo a executar.
Pode-se retirar a medida de um anel mediante uma coluna de medidas, muito semelhante a uma adrasta redonda. Estas colunas não podem levar pancadas, pois ficam danificadas, visto que são de alumínio ou de plástico e a escala graduada é colada. Caso não tenha um anel como base, tem de tirar a medida do dedo a que se destina a peça a projeto. Para isso pode usar um conjunto de aneleiras, que têm medidas standard ou passe uma fita, ou papel à volta do respetivo dedo e assim terá o comprimento do anel em milímetros.
Fórmula para determinar o comprimento de chapa
Na execução de um aro de anel ou aliança determina-se o comprimento da chapa, com base no tamanho pretendido. A seguir a fórmula de cálculo para o comprimento do anel:
C = ( x D) + (1 a 2 x E)
C = Comprimento do anel (pi) = 3,14
D = Diâmetro interno
E = Espessura do anel
Nota: para fazer o aro, multiplicamos a espessura da chapa em 1 ou 2x como margem de erro para poder trabalhar à vontade, no corte perfeito da união, e realizar a soldadura.
Como saber as medidas do meu anel?
Se já tem a medida do diâmetro interior em milímetros, pois retirou com um fio ou papel, adicione à medida está medida a espessura do fio ou chapa com que vai trabalhar, mediante o projeto a executar. Para proceder ao cálculo do comprimento da chapa para anel ou aliança é fundamental que os cálculos estejam corretos, evitando perdas de metal e tempo.
Ao fechar o aro tenha em atenção a melhor posição antes de o soldar. Retifique antes de soldar se as medidas estão corretas, podendo sempre adicionar ou subtrair metal até acertar com a medida pretendida. Para isso recorra a uma coluna de medidas de interiores corrigindo a medida do anel.
Cada número na coluna de medidas corresponde a um milímetro, por isso quando alguém pretende reduzir ou aumentar o tamanho do anel dois números, significa que se tem que tirar ou aumentar o aro em 2mm.
Se o anel tem uma medida de espessura ou largura de aro superior a 3mm, não pode corresponder ao nº da coluna ou aneleira. Quanto mais largo for o anel mais difícil é a sua medição correta, sendo que anéis demasiado largos não são ergonómicos e tornam-se pouco cómodos, visto que atrapalham o movimento do dedo, incomodando o nó da articulação. Para culminar esta restrição de diâmetro do anel, passou-se a fazer anéis largos na zona superior – topo do anel – e estreitos na zona inferior, interior da mão.
Mas, com que são feitos os anéis?
Os anéis podem ser feitos em chapa ou fio moldados na adrasta, ou também podem ser côncavos. Este processo só pode ser obtido por 3 processos:
- Forjamento,
- Modelação em Cera
- Prototipagem a 3D.
No forjamento, o metal é moldado a martelo, num embutidor redondo tendo que estar sempre recozido, para que se mantenha maleável e fácil de trabalhar.
Para iniciar a realização de anel repuxado (repuxo), é necessário em primeiro lugar reunir todos os materiais necessários, como a chapa laminada à medida e o desenho do anel em papel, com as medidas de largura e comprimento, para ser
desenhado/marcado na chapa.
Tipos de Ferramentas que devemos usar
Cada tipo de trabalho requer uma ferramenta adequada ao tipo de transformações que se pretende obter. Existe uma enorme variedade de martelos, com funcionalidades e formatos específicos. É importante ter uma ideia do efeito que se pretende criar e qual a especificidade de cada formato de martelo. Como os diferentes tipos de martelos que vemos a seguir:
1- Martelo de cinzelagem
2- Martelo de Forjar
3- Martelo de repuxado
4- Martelo de relevos ou martelo de bola
5- Martelo de pena ou de rebitar
6- Martelo de vincar

Fig. n.º 1 – Diferentes tipos de anéis
Passos a seguir para criar o seu anel
Tal como os martelos, é igualmente importante o tipo de bases para forjar, utilizados como suporte das superfícies metálicas que vão ser submetidas à forja. Podem ser ‘tais’ ou ‘desempenos’ metálicos, bigornas, placas de chumbo, breu ou pez, cepos de madeira ou embutidores côncavos.
- Coloque a chapa sobre a base (breu, chumbo com folha de papel ou cepo de madeira). Deve escolher o embutidor adequado à superfície que se quer repuxar e fazer o recozimento com regularidade. Alterne os embutidores de diamantífero maior para o mais pequeno e vá a bater
até que a chapa fique com volume cilíndrico e boleado, ao mesmo tempo.
- À medida que se vai a bater com os embutidores com o auxílio do martelo de cinzelar, a chapa irá ficar cada vez mais cilíndrica e com forma de aro (não se esqueça de fazer o recozimento com regularidade, pois a chapa pode romper).
- Repuxe o anel, com embutidores cada vez mais pequenos, tentando fazer o repuxado o mais homogéneo possível, sem que se notem deformações bruscas, mas sim um volume similar ao longo da chapa. Depois do anel estar quase com a sua forma final, bata apenas para deixar a superfície o mais regular possível, caldeando a chapa com um embutidor preso num torno.
- Após unido, solde-o e dê-lhe acabamentos primários. Por fim solde o resto dos elementos constituintes do anel, como garras, caixas e elementos decorativos.
- A seguir, um tipo de embutimento que pode surgir depois do anel já estar soldado, partindo de uma argola em chapa, que após estar embutida pode ser texturada.

anéis tcmarketart-1
Referências Bibliográficas
CODINA, Carles (2000) – La Joyería, editora Estampa, Lisboa ISBN 972-33-1575-0
McCREIGHT Tim (2001) – Manual de ourivesaria e metalurgia, Tecniche Nouve, Itália. ISBN 88-481-1188-2
McGRATH Jinks (1998) – Joalharia: técnicas básicas, Editora Estampa, lisboa. ISBN 972-33-1346-4
SCHAFFNER, Loosli, Merz (2009) – Manual de aprendizagem de joalheiro, Watchprinte, França. ISBN: 978-2-9700656-0-9
SCHUMANN, Walter (1995). Gemas do Mundo, Editora ao livro Técnico.
EDITOR Ruhle Diebener (1995) – Practical Goldsmith, Degussa AG., Stuttgart 2 edição publicitária. 19
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